Hoje meu quarto está fechado, minhas janelas lacradas, o celular desligado. Não quero ver o dia, nem ser testemunha da felicidade alheia. Não quero pensar na fuga patética das emoções que causei, nem da culpa que eu deveria sentir. Não quero bombear meu sangue para dentro das palavras, nem despertar pena de ninguém. Porque hoje meu corpo está inerte, e o coração duro. Batendo por bater.
Nunca acreditei na felicidade absorta. Essa idéia de vida sem exageros, sem taquicardia, sem indecisões, me é isípida, e mesmo o vazio sobre a cama deve puxar de volta, pra dentro dessa consciência conturbada, das lembranças irremediáveis.
E por outro lado, tudo vai de encontro mortal com a necessidade que tenho de me organizar, de encontrar tempo para escolher prioridades responsáveis, de me tornar essa coisa pobre que é ser adulto...
Não adianta. A vida tem sido tão intensa que sinto a vontade de jogar-me pelo pára-brisas, toda vez que ela para... e quando o efeito cessa, eu sofro de abstinência.
Eu só quero esse nada.. E não quero ter tempo de reparar a felicidade dos outros.
-Stupid drunk bastard-