segunda-feira

Arte.. huh?

Hoje, nossa profe X, que foi aprovada com conceito máximo para o mestrado na UFRJ, apresentou seus trabalhos para a turma. Mal pude esperar rs. Sentei-me bem ao fundo, como sempre.. com a carranca escondida, caneta em mãos e a matraquinha bem fechada. A medida que ela explicava seu processo de criação e produção, junto com todos os motivos que dariam coesão ao produto final de sua obra, slides dos respectivos trabalhos eram projetados na parede. E a caneta entrou em ação, pra evitar que o meu furor se extravasasse e eu me garantisse um belo de um conceito B. Ela mostrava uma postura bastante poética em relação aos materiais que usava e falava maravilhosamente bem sobre obras que não passavam de riscos duros, pouco sedutores, escorridos sobre telas relativamente largas. O tipo de trabalho nada inovador, que ninguém mais pensaria em desenvolver, pois intuitivamente saberia que não poderia vingar como arte culta. Pois bem, hoje eu descobri que pode. Concluí para os meus colegas, em tom de conversa de bar, de que, no meio acadêmico atual, os artistas devem saber falar sobre seus trabalhos melhor do que faze-los. 


A aula poderia ter tido um desfecho bem menos pior se a profe, depois de tudo, não tivesse feito TANTA questão de se gabar com o eximio conhecimento dela. Meu sangue ebuliu. Me atirei na poltrona e saí da sala. Não me pergunte como ela finalizou a explanação.. porque vim para casa e não fiz questão de terminar de assistir a aula. E por final ainda concluí: se você é um bom orador, pinte riscos, vire artista e ganhe dinheiro em cima de mentes fracas, com sede de subjetividade, conceito e "processo criativo".