terça-feira

+ Que o Natural



Que fique bem claro: o término de um 'relacionamento' não implica necessariamente, na abolição de toda e qualquer outra forma de interação e convívio entre os dois "ex". E isso, a princípio, pode parecer consequência de uma decisão precipitada, mas nem sempre o compromisso é a única coisa que "prende" duas pessoas e, da mesma forma, as liberta totalmente uma da outra, quando acaba. A vida a dois, assumida ou não, tem tramas muito mais complexas que as une, que vão além da atração sexual e da íntimidade física e verbal. Se ela durar tempo o suficiente, é capaz de desenvolver laços os quais são quase impossíveis de se desprender, mesmo depois que o amor, propriamente dito, acaba. Não são os vestidos que ele deu, os bilhetes que ela escreveu e ele guarda ainda hoje, as viagens, as fotografias, as festas de família - que agora são pela metade - que dificultam a total separação. O que torna esse adeus definitivo complicado, é todo o misto de sensações assimilado com o passar do tempo, e que irreversivelmente passa a emaranhar-se com as nossas lembranças anteriores. Nossa maneira de pensar e agir, releva a existência e todas as peculiaridades de outra pessoa e, como eu já comentei algumas vezes aqui no blog, passamos a ser um pouco da outra pessoa e vice-versa. Os olhares subentendidos, o conhecimento e os gostos adquiridos, as situações que evocam a pessoa, a experiência adquirida com a cúmplicidade: essas coisas, o cérebro não deleta frente um coração partido e, mesmo estando ciente do fim do sentimento maior dentro de si, por algum motivo, nem sempre conseguimos nos desfazer da pessoa, porque é tão natural conviver com ela, chama-la pra ir comprar doce ou qualquer besteira no mercado perto de casa, ver um filme, falar sobre a faculdade ou o novo emprego. E nada mais prudente que assumir esta condição, sem pudores e receios, mesmo no trágico "pós fim". Talvez o orgulho se anteponha em algumas situações - dependendo da causa do fim, e nem sempre seja possível manter uma vivência, mas quando o carinho ainda é maior que o orgulho, o mundo continua girando e o cérebro continua relevando a existência daquela pessoa, insistentemente.


Não é uma constatação geral - nem de longe. Mas posso dizer que é claramente o meu caso. 
Mas ok, e infelizmente não nasci pra poder deixar a minha opinião na sua cabeça, leitor(a), mas, apesar da minha abordagem um tanto 'bruta', o que foi dito até agora, afirmo, com todas as letras, de que 'amor' permanece 'amor', mesmo depois que termina. ;] goste você ou não.


:*