sexta-feira

O tal chato do Natal.



Falando sério... Não quero ser do contra, mas essa história de Natal me cansa. Todo ano é a mesma coisa: uma corrida obsessiva para as lojas para gastar por obrigação um dinheiro que seria muito mais bem gasto com as férias. Uma série interminável de propagandas na televisão com abomináveis homens das neves, vestidos de vermelho, incitando ao consumismo..

Mas não vou parar só no consumismo, não, porque afinal ele é comum a toda uma série de datas festivas - dias dos pais, das mães, das crianças, aniversário do cachorro, do gato, da galinha, etc. - sejam elas ou não embaladas pelos sininhos hipócritas da cristandade. O pior do Natal é a persistente tentativa de torná-lo uma data de pseudo-congregação em torno de um pseudo-personagem que, mesmo que tenha existido, certamente não nasceu em 24 de dezembro.

Não vou entrar em detalhes técnicos sobre solstícios nem sobre como, em plena Idade Média, marcaram a data do nascimento de Jesus. Mas, sinceramente, toda essa coisa de jingle-bell e Noite Feliz acaba por transformar uma data que poderia ser apenas (como tantas outras) supérflua, em algo altamente depressivo. É triste ver aquela parentada que mal se suporta durante o ano inteiro, toda reunida e pensando apenas na bebedeira e na comilança. Ver como se exibe com a máxima ostentação os presentes caríssimos que deram ou receberam os mais íntimos, enquanto a lojinha de 1,99 deu conta do restante.

Espírito natalino? Bobagem!... O que existe mesmo é um tremendo espírito de competição em cada luzinha colocada nas janelas e fachadas. E o pior é que isso é tão difundido, é tão plantado, que se torna a mais proverbial das mentiras repetidas, não mil, mas 2010 vezes. Ao ponto de aqueles que, por algum motivo, se vêem afastados de suas famílias, não conseguirem deixar de sentir uma pontinha de tristeza, por mais céticos que sejam...

Por isso não sou cristão, por isso não comoro Natal. Que se tornou uma tradição tão hipócrita que perdeu o sentido (ou melhor, o sentido é só dado com palavras, porquê atitude ninguém tem, e durante o ano todo). Respeito a tradição, como a todos que participam a respeitam da mesma forma.
Mas no way, por sinal..nem gosto muito dessa palavra, pois não tem sentido pra mim.


Natal não é Yule, Natal é uma cópia mal feita de nosso passado apagado.


E esse tal de Yule, tem alguma coisa a ver com redenção dos pecados ou Jesus? NÃO! O Yule é uma festa sazonal, marcando o auge do inverno e a perspectiva de que, dali em diante, os dias se tornarão progressivamente mais longos e quentes, prenunciando um novo ciclo de plantio e colheita. Mesmo a historinha tantas vezes repetida, da Deusa recolhida ao mundo inferior, que dá a luz ao Deus, além de ter
origem incerta no tempo e no espaço, tem um paralelo apenas superficial com a história e Maria e Jesus (e, na verdade, com dezenas de outras mitologias).


Vivemos numa sociedade eminentemente cristã e, portanto, a grande maioria das pessoas com quem lidamos possui formação cristã, mesmo que não seja praticante. Confraternizar-se com elas, em sua máxima data
religiosa, é um simples gesto de apreço e, mesmo, de respeito pela diversidade das crenças.Aqui no Brasil, o nosso confuso neopagão erguer um brinde, à meia-noite do dia 24 de dezembro, ao “auge do inverno”, enquanto os parentes saúdam o nascimento de Jesus, o mínimo que vai conseguir são olhares atravessados.

Chega a ser engraçado.

Eu respeito. Mas não Transformo Natal em Yule, pois respeito o significado de
ambas as datas mas não pretendo enxergar apenas o exterior, a festinha. Me orgulho de ser Wicanno e não menosprezo o simbolismo, por mais remoto que esse possa parecer.

Feliz Yule para quem é, e Boas Festas pro restante. :*