quinta-feira

De entrada

Elas esperam fielmente, o príncipe encantado;
sonham com finais felizes,
perfeitas histórias de amor,
mas se arrastam, facilmente,
pro primeiro canalha que aparece.

Tudo por causa de poucas palavras que o infeliz diz, quase sempre, sem dizer e elas caem fácil fácil. Porra! Não estou montado em um cavalo, não me visto inteiramente de branco e não possuo uma espada pendurada na cintura. Não, eu não sou São Jorge! Mesmo com toda a fama de agarrar, com veracidade, alguns dragões pelo pescoço.

As mulheres que encontro e que parecem possuir o currículo apreciado por mim, estão sempre iludidas, isto é, estão compromissadas ou já possuem um pretendente. Quando encontro uma solteira com todos os pré-requisitos para um relacionamento forte e duradouro, a idiota está desiludida, pois um homem, mais ágil e alfa do que eu, a arrastou, a faturou e, sem dó e nem piedade, a desperdiçou. Ele, o canalha, deve estar com outra e eu, imbecil, à espera. O pior, ainda, é quando encontro uma perfeita e ela mora longe, quilômetros e quilômetros de distância, e eu sou daqueles que aprendeu que o único amor à distância que funciona é o de ficção.

Ultrajante mesmo é quando a encontro e me imagino o príncipe que ela procurava, mas, num tempinho depois, descubro que ela tem, além de mim, outros três príncipes, um harém. Bobeira a minha, pois muito mais inconveniente é quando me revelo um mero servo. Não ligo em servir, mas gosto de sinceridade e que me avisem que não sou o prato principal e, sim, o tira-gosto da vez. - Afinal, quem não tem ou já teve um tira-gosto? - Tenho um cardápio pequeno, mas os tira-gostos são todos de qualidade. Vou à base do que tenho por perto, na veracidade, até o prato principal ficar ao ponto, um dia há de ficar, um dia.

E é, a fome está grande!